África só espera barril de petróleo acima de USD 70 daqui a três anos

A consultora PwC, no seu estudo anual sobre o sector do petróleo e do gás natural em África revela que os inquiridos não esperam que o preço do barril atinja USD 70 antes do final de 2018. A consultora recomenda que se façam ‘reformas regulatórias, fiscais e de licenciamento’ para atrair investidores para o sector.

As organizações inquiridas pela consultora internacional PwC no seu estudo anual sobre o sector do petróleo e do gás natural no continente revela que estas esperam que o preço atinja os USD 52 até ao fim de 2016, USD 60 até ao fim de 2017 e USD 69 no final de 2018. O preço do petróleo nos próximos três anos coloca-se assim como um factor determinante para a actividade. ‘Com pouco controlo sobre os preços, as empresas focam-se em melhorar a eficiência e em diminuírem os custos’, repara a consultora. Seguem-se, entre as principais variáveis com impacto no negócio, a conformidade com a regulamentação e a volatilidade das divisas.

Ora, num momento em que o preço do petróleo registou uma baixa persistente, traduzindo-se numa actividade mais reduzida no continente africano, a consultora recomenda que os governos dos países petrolíferos da região reformem os respectivos sistemas reguladores, fiscais e de licenciamento para captar investimento para o sector. É que a consultora considera que o continente continua a oferecer oportunidades significativas no sector do petróleo e do gás.

‘É o momento certo para os governos locais que querem atrair investidores de petróleo e gás reformarem os respectivos sistemas reguladores, fiscais e de licenciamento’, afirma Chris Bredenhann, consultor principal da PwC para a África em Petróleo e Gás. Bredenhann considera igualmente importante para o sector olhar para além dos desafios colocados pela descida dos preços e considerar outras forças que estão a moldar o sector. De acordo com a ‘Análise sobre Petróleo e Gás em África, 2016’ da PwC será constante o foco na redução de custos no sector e a procura por tecnologia inovadora irá aumentar. Além disso, para a consultora este pode ser o momento ideal para o sector avaliar a introdução de programas de formação para aumentar os níveis de competências e os padrões empresariais, com vista a dar aos intervenientes locais uma oportunidade de entrar no sector quando a actividade retomar. Na sua na sua análise, a PwC refere que a incerteza nos quadros reguladores, corrupção/ética, fracas infraestruturas físicas e uma falta de recursos a nível de competências continuam a apresentar- se como os principais desafios identificados pelas organizações do sector.

Pela primeira desde 2010, ano em que a consultora passou a apresentar o seu relatório anual sobre o sector no continente as relações com os governos figuram entre os seis maiores desafios que enfrentam. ‘Este ano verificou-se, também, um significativo aumento no desafio de responder às exigências fiscais, bem como nas relações com os governos. Pelo terceiro ano consecutivo, a incerteza reguladora continuou a ser o principal desafio para os negócios do petróleo e do gás em África, com 70% das organizações a referirem-se a esta como um dos cinco maiores problemas que enfrentam’, revela a PwC numa nota sobre o estudo.

A actual situação leva as organizações a centrarem-se na gestão dos activos e na optimização mas, para Bredenhann, ‘felizmente, o sector permanece optimista e diversos intervenientes a montante estão focados na exploração e descoberta de novos recursos durante os próximos três anos, provavelmente antecipando uma reviravolta no preço do petróleo’. No entanto, e embora se tenha registado alguma recuperação ao nível do preço, a confiança dos investidores permanece baixa dado que uma recuperação significativa não parece estar no horizonte. Recorde-se que a descida do preço do petróleo levou as companhias a adiar decisões de investimento no valor de cerca de USD 300 mil milhões.

A PwC reconhece que também caiu a actividade de fusões e aquisições e considera que esta não vai retomar tão cedo (embora haja alguns indícios de que tal possa acontecer, de acordo com analistas norte-americanos). Mais eficiência, desenvolvimento de conteúdos e competências locais e melhoria nas infraestruturas são as chaves para o crescimento nos próximos anos, segundo o relatório. ‘O sector do petróleo e gás enfrenta uma barreira mais forte à entrada, porque a tecnologia e os empregos tendem a ser mais complexos, altamente especializados e dispendiosos’, explica Bredenhann.

A insuficiência de infraestruturas básicas terá, para 20% das organizações, um impacto significativo nos seus negócios nos próximos três anos – com 73% a esperarem um pequeno ou nenhum impacto. A PwC considera positivo que ‘mais de metade dos inquiridos espere que os custos de área e de licença diminuam ou desçam substancialmente’. Bredenhann adianta: ‘É provável que isto se deva à descida dos preços do petróleo, que desvaloriza a área/licenças.’ ‘As complexidades e desafios que se colocam ao sector do petróleo e gás africano tornaram-se assustadoras. Com a incerteza nos quadros regulamentares, os requisitos fiscais e a corrupção a continuarem a dominar os principais desafios em África, este é também o momento para os governos procederem a alterações significativas’, conclui Bredenhann.

O desafio digital

O sector não está a conseguir interiorizar a revolução digital e os avanços tecnológicos. A análise global da PwC mostra que as empresas de petróleo e gás são mais lentas do que outras indústrias a responder à utilização de novas tecnologias, nomeadamente digitais. A consultora acredita que há um conjunto de tendências que irão acabar por transformar o sector do petróleo e gás, entre as quais a Internet das coisas, a construção de alianças, a simplificação e normalização, as compras baseadas nas soluções e a transferência de conhecimentos de empresas petrolíferas internacionais para as empresas de serviços no campo petrolífero.

O que se analisa

A ‘Análise sobre Petróleo e Gás em África, 2016’ da PwC, que está presente em 34 países africanos com 66 escritórios, analisa os acontecimentos dos últimos 12 meses no sector do petróleo e do gás nos mercados principais e emergentes de África. No final de 2015, África tinha uma comprovada base de gás natural de 496,7 biliões de pés cúbicos, uma ligeira descida face a 2014, com 90% da produção de gás natural do continente a partir da Nigéria, Líbia, Argélia e Egipto.

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