Crise: Indústria de bebidas pode paralisar por falta de matéria-prima

A maior indústria de refrigerantes do país, Refriango, já paralisou mais de 50% da sua produção. Falta açúcar e outros produtos. O Grupo Castel, detentora das marcas Cuca, Nocal e Eka também vive o mesmo problema

Dependente, em grande medida, de matéria-prima importada, as principais empresas de bebidas estão a atravessar sérias dificuldades por causa da falta de divisas no mercado nacional. É o caso da maior empresa de refrigerantes, Refriango, proprietária de fábrica em Luanda e outra no Huambo, ambas a enfrentarem problemas de abastecimento para garantir o normal funcionamento. Segundo o administrador da Refriango, Estêvão Daniel, a empresa não consegue adquirir açúcar e outros produtos que garantem a produção dos refrigerantes e sumos, facto que, segundo ainda o administrador, provocara uma quebra de produção na casa dos 50 por cento.

“Além da falta de divisas no mercado nacional, a taxa do imposto de consumo aumentou de 20 para 60%. Tem sido outro constrangimento para as indústrias de bebidas nacionais, sobretudo para a Refriango”, adiantou. Estêvão Daniel admite que caso a situação se mantenha serão obrigados a parar algumas linhas de enchimento, sobretudo as linhas de refrigerantes e sumos, deixando assim de cobrir boa parte das necessidades de consumo do mercado de bebidas não alcoólicas. “Ainda temos stock para produzir nos próximos cinco meses, mas nada nos garante que consigamos manter os níveis de produção depois deste período”, acautelou.

O administrador disse que a Refriango importa a maior parte da matéria-prima para a produção de sumos e refrigerantes, por entender que os agricultores nacionais ainda não produzem em quantidades consideráveis para cobrir as necessidades das indústrias de bebidas. “O que se produz no país ainda não é suficiente para assegurar a produção de bebidas. É por isso que ainda existe fruta importada no mercado. Logo, não estamos em condições de fornecer produtos e de forma contínua às indústrias de bebidas”, afirma. O Grupo Castel também vive as mesmas dificuldades.

O administrador delegado da Castel em Angola, Filippe Frederic, já admitiu a possibilidade de produzir milho no país para a reduzir a importação assim como criar parceria com a Biocom, empresa produtora de açúcar. Enquanto isso, a falta de divisas para aquisição de matéria-prima vai continuar a afectar toda a cadeia produtiva. Sem avançar números, Felippe Frederic salientou que neste momento a solução passa pela redução de trabalhadores, evitando, adverte, ter uma força de trabalho improdutivo.

“Espero que possamos em conjunto ultrapassar a crise para que voltemos a produzir bebidas em grandes quantidades, pois Angola já é um país autosuficiente neste sector”, disse. O problema que é transversal afecta também a fábrica de Ngola, com sede na cidade do Lubango, província da Huíla. A Ngola, indústria que produz a cerveja com o mesmo nome e refrigerantes da marca Coca- Cola e Fanta está a enfrentar problemas que, segundo o Director de Comunicação e Marketing, Darci Dias, estão relacionados com a falta de divisas. Darci Dias afirma, por outro lado, que apesar de ainda ter um stock que assegure a produção por mais quatro meses, a restrição no acesso às divisas tem criado constrangimentos no que diz respeito ao pagamento a fornecedores, para aquisição de matéria-prima.

O responsável da área de Comunicação e Marketing da Ngola refere que a sua empresa só tem conseguido manter os mesmos níveis de produção, até ao momento, por causa de parcerias criadas com agricultores e moagens locais, para o fornecimento de alguns produtos como o arroz e uma parte do açúcar, indispensáveis na produção de cerveja e refrigerantes. “O nosso nível de produção mantém-se nos 65 mil hectolitros por mês para a cerveja e 30 mil hectolitros por mês para os refrigerante”, disse. Darci Dias reconhece que os produtos fornecidos por esses agricultores e moagens ainda são insuficientes, pois têm servido para cobrir uma parte da necessidade de matéria-prima que se regista a nível de vários sectores produtivos em particular o de bebidas.

Recorde-se que até ao ano passado, o país atingiu uma capacidade de produção instalada de 4 milhões e 480 mil litros por dia. De acordo com o presidente da Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA), Manuel Sumbula, o sector das bebidas tornou-se robusto e tem contribuído muito para o crescimento da economia do país. Para o presidente da AIBA, a integração na zona de comércio livre constitui ainda uma exigência para os países, pelo que, diz, Angola como membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), precisa de integrar a zona.

 

 

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