Economia angolana crescerá 2% ao ano até 2020, aponta relatório do CEIC

Alves da Rocha , director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, diz que o país atravessa um período de desaceleração económica e que não há condições para retomar as taxas de crescimento do passado.

A economia angolana está a atravessar uma fase de desaceleração estrutural face à actual situação económica e financeira , o que resultará numa baixa significativa no seu crescimento. Nos próximos tempos (até 2020) o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola não deverá passar de uma taxa média anual de 2% ao ano.

A afirmação é de Alves da Rocha, director do CEIC, quando falava ontem, em Luanda, durante a apresentação do Relatório Económico de 2015, elaborado por aquela instituição da Universidade Católica de Angola. “Desde 2009, após a minuidade de ouro de intenso crescimento económico, assistimos a uma desaceleração estrutural da economia, ano após ano. Estamos convencidos desta atenuação do crescimento da economia e, neste momento, não vislumbramos condições para que o país retome as taxas de crescimento do passado”, frisou.

No Relatório, o CEIC refere que entre 2002 e 2015 Angola registou receitas fiscais provenientes do petróleo” de USD 538 mil milhões e USD 320 mil milhões, cenário que, na visão de Alves da Rocha, ficou comprometido com a crise petrolífera. “O petróleo nas contas angolanas em 2008 permitiu uma taxa de crescimento económico de 12,8%. A crise do petróleo é mãe de todas as crises em Angola”, classificou o economista.

No entender de Alves da Rocha o país perdeu muitas oportunidades para melhorar substancialmente a qualidade de vida dos angolanos. Ainda de acordo com o CEIC, Angola acumulou um saldo orçamental de USD 33 mil milhões, apesar dos recentes défices das contas públicas, como o de 6% que o Governo prevê para este ano, a financiar com endividamento público. “Nós, de facto, tivemos muito dinheiro”, observou. Além de uma verdadeira aposta na diversificação da economia, Alves da Rocha entende que há necessidade de se corrigir o modelo de distribuição de riqueza no país.

Inflação poderá chegar aos 50%

Na previsão do director do CEIC, a taxa de inflação em Angola pode chegar este ano aos 50%, (em Junho esteve nos 30% ) face aos 12 meses anteriores. Aquele centro de estudos analisa os indicadores de 2015 à luz do eventual “contágio” da crise ao sistema bancário, “que vive da concessão de crédito, actualmente com taxas de juro de 17%, e do negócio das divisas, que “simplesmente não há”. O estudo do CEIC , um dos mais importantes documento de avaliação da economia do país, concluiu que 2015 foi um “annus horribilis”, devido à crise do petróleo.

Economia angolana crescerá 2% ao ano até 2020, aponta relatório do CEIC