Informação, conhecimento e poder negocial

A inovação permanente associada às tecnologias de informação tem permitido que mais pessoas tenham acesso a mais informação e, potencialmente, a mais conhecimento. Poderá pensar-se, portanto, que a uma maior disseminação da informação corresponde um nivelamento do poder negocial de todos os agentes económicos, em particular no momento da tomada de decisões de investimento. Mas não é necessariamente assim. O objectivo deste artigo é proporcionar uma reflexão sobre a importância do conhecimento nos dias de hoje, partindo desta premissa de base: quem tem informação, tem poder.

Uma das principais falhas de mercado, que a regulação procura dirimir, é a assimetria de informação, fenómeno que ocorre quando, numa negociação, uma parte tem mais ou melhor informação do que a outra, obtendo por isso vantagens. A assimetria de informação ocorre em todos os sectores de actividade, mas é particularmente sensível nos mercados financeiros. Um exemplo clássico de um mercado em que existe grande assimetria de informação é o dos automóveis em segunda mão1, em que o vendedor tem sempre mais informação do que o comprador.

Com a facilidade de acesso à Internet e os seus poderosos motores de busca, somos levados a pensar que qualquer pessoa pode obter a informação de que necessita para se capacitar. Isto seria verdade se todos pudessem ter acesso à informação certa e os conhecimentos necessários para a sua análise.

O verdadeiro poder consiste, portanto, em saber tirar partido da informação disponível. Em todos os domínios da actividade, existe um nível de informação estruturante, em que radica verdadeiramente o conhecimento, e um nível de informação circunstancial, susceptível de ser analisado à luz desse conhecimento e que consolida esse conhecimento. Um dos factores críticos para a qualidade da informação é a sua credibilidade e actualidade. A credibilidade das fontes onde recolhemos informação requer por isso a máxima ponderação. E assume particular importância a forma especializada e regular

O mercado dos carros usados integrou o estudo dos mercados caracterizados pela assimetria de informação, que esteve na origem da atribuição em 2001 do Prémio Nobel da Economia ao economista norte-americano George Arthur Akerlof.

Como é organizada a informação. Por exemplo, o centro de documentação de uma instituição especializada gera uma percepção de maior confiança do que um qualquer endereço da blogosfera.

Nos dias de hoje, já não é possível pensar-se no conhecimento como algo que se adquire e é válido para toda a vida: os cidadãos do nosso tempo têm de estar preparados para adquirir sempre novos conhecimentos, ou seja, temos de aprender a aprender. E quanto mais vastos vão sendo os universos do conhecimento em que mergulhamos, mais capazes seremos de aprender a aprender.

Nos mercados financeiros, altamente especializados, o acesso à informação é um domínio crítico. A informação assimétrica impede o funcionamento perfeitamente concorrencial do mercado, uma vez que leva os agentes económicos a não alocarem os seus recursos da forma mais eficiente, em igualdade de circunstâncias.

A regulação do mercado de capitais, por exemplo, obriga as empresas que emitem valores mobiliários e os agentes de intermediação a divulgarem de forma regular, verdadeira e oportuna toda a informação susceptível de afectar a forma como os investidores percepcionam o valor das suas propostas de negócio. Mas mesmo estando disponível para todos os agentes económicos, nem todos têm idêntico poder para tirar partido dessa informação. É por isso que existem no mercado prestadores de serviços especializados, também devidamente regulados e supervisionados, que poderão proporcionar aos investidores uma análise holística – no seu todo e não fragmentada – da informação disponível

Informação, conhecimento e poder negocial

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