Recebi dos colegas da Guy Carpenter Iberia através do escritório de Lisboa o relatório sobre o sinistro que ocorreu no dia 12 de Agosto de 2015, no terminal portuário de Tianjin, na China. Agradeço os meus amigos da Guy Carpenter de Lisboa pelo envio de tão precioso relatório para a compreensão de um dos maiores e mais recentes sinistros.

As explosões de Tianjin, ocorreram no dia 12 de Agosto de 2015, a 170 km a sudoeste de Beijing, a capital da populosa China. Este acidente é já considerado um dos maiores sinistros da Asia e obviamente um dos mais complexos para indústria seguradora e resseguradora internacional dos tempos mais recentes. As investigações recorrendo aos mais diversos especialistas e tecnologia supermoderna, como as imagens precisas através de satélite e o outros recursos fornecidos pela Pleiades/Sopt 7, Airbus defense & and space e a Skybox/Google todos para se poder obter respostas as complexas situações envolventes na avaliação e inspecção que faça chegar a conclusões para o processo indemnizatório.

De acordo com os dados estarão envolvidas companhias de seguros e resseguros de aproximadamente 15 países diferentes. Das análises preliminares as duas explosões poderão gerar perdas entre 1.6 biliões à 3 biliões de dólares.

Ao nível da actividade seguradora uma curiosidade se levanta que é o facto de poder-se facilmente identificar vários ramos de seguros (apólices) neste sinistro, nomeadamente; seguro multi-riscos (habitação, industrial e armazéns), seguro de transporte de mercadorias, seguro automóvel, seguro de aviação (4 helicópteros que estavam estacionados no heliporto de Tianjin à 1.5km do epicentro das explosões sofreram igualmente danos, o valor total destes danos estão avaliados em USD.40.000.000, interrupção de negócios (business interruption), o seguro de responsabilidade civil e eventualmente o seguro de vida. No que toca ao resseguro também podemos verificar que serão accionados os principais tipos de resseguro definidos pelos tratados entre as seguradoras e o mercado internacional de resseguro, nomeadamente, o resseguro proporcional e não proporcional ou seja, o princípio da subsidiariedade entre seguro e resseguro será invocado. Obviamente que o mercado interno chinês será em primeira instância chamado para fazer face às indemnizações.

Que lições então a tirar de Tianjin?

1. Num único evento complexo (sinistro), pode ser accionadas uma panóplia de coberturas de seguro, desde a mais simples à mais complexa;

2. É preciso que a indústria seguradora seja munida de instrumentos eficazes para se apurar a dimensão dos sinistros para uma avaliação correcta que culminará com o processo indemnizatório;

3. Um rigoroso processo de “risk assessment” das infraestruturas portuárias do país é necessário porque os danos que, eventualmente, advenham de um sinistro dentro de um terminal portuário as suas consequências não se circunscrevem somente a esse recinto, podendo alastrar-se para várias partes dos arredores, afectando quem muitas vezes não tem nada a ver com a actividade do porto mais que é prejudicado no seu património ou mesmo na sua vida, como verificamos no caso do Porto de Tianjin.

4. Num único evento podem ser chamados vários países no processo de indemnização através do mecanismo de resseguro, que funciona como o seguro do seguro, pelo que é um mecanismo que usado credibiliza as seguradoras locais, retirando uma grande dose de exposição ao risco, sendo que o mesmo é dispersado para outras latitude e na eventualidade do sinistro serve-se desse mecanismo para se fazer indemnizar os lesados. Com esse mecanismo a funcionar em pleno credibiliza o país e as suas seguradoras ou seja, o próprio sector financeiro.

Finalmente e na minha modesta opinião enquanto pessoa atenta e sendo um actor activo deste sector de actividade a realidade angolana temse revelado muito resistente a algumas alterações mais estruturantes ao nível da estratégia, no que concerne ao monitoramento, gestão e avaliação de vários riscos existentes no nosso vasto e belo país, pelo que o que aconteceu em Tianjin deve ser uma excelente lição para avaliar, medir, controlar e monitorar as exposições a que se está sujeito neste processo complexo de modernização e desenvolvimento de económico de Angola

Lições de Tianjin

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