Moxico pode ser celeiro da auto-suficiência alimentar do país

Pela sua posição estratégica e potencialidades económicas, a província do Moxico é apontada como uma região preponderante para o alcance da auto-suficiência alimentar do país, segundo José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola (AIA).

O empresário defendeu esta posição em declarações à Luanda Antena Comercial (LAC) por ocasião da realização hoje, quarta-feira, no Luena, de uma sessão das Comissões Económica e para a Economia Real do Conselho de Ministros, a qual vai rever o plano de desenvolvimento da província e adaptá-lo à actual situação económica e financeira do país

. Para Severino, o Moxico, apesar de ser a maior província de Angola, com uma área territorial de 223.023 quilómetros quadrados, diversos recursos, encontra- se numa zona encravada com poucas acessibilidades. Agora tem o Caminho-de Ferro de Benguela e o aeroporto, o que lhe dá alguma capacidade de mobilidade no contexto económico. “Como recursos, o Moxico tem realmente terras aráveis, podendo encaminhar-se para uma auto-suficiência alimentar no que concerne a produtos de origem agrícola e pesqueiro. Os seus rios são ricos em variedades de peixes de grande qualidade. Temos a questão da apicultura.

O Moxico já foi um dos maiores produtores mundiais de cera, embora o mel fosse marginalizado na altura. O mercado apostava mais na cera do que no próprio mel. Hoje pensa-se de outra forma, dando cuidado a quem explora mel de ser apicultor e não um caçador de mel matando as abelhas e destruindo as colmeias naturais. Portanto, há no Moxico uma grande variedade de recursos para a auto-suficiência alimentar”, frisou. Do ponto de vista das relações internacionais ou mesmo nacionais com outros mercados apontou a madeira como recurso que deve ser utilizado de forma sustentável. “Da própria flora existem reservas de lenhite, tipo de carvão que poderia ser utilizado no processo de transformação do ferro em ferro Gusa, em vez de estarmos a cometer o erro de destruir florestas tropicais secas para fazer carvão e depois ir para os fornos”.

Por outro lado, considerou que o Moxico, pela sua posição geográfica pode ser o elo de ligação com países vizinhos como a Zâmbia e o Congo Democrático por meio dos Caminhos-de-Ferro, caso se consiga dar-lhe alguma eficiência. “O Moxico é, de facto, a nossa lança no sentido construtivo para as relações com a Zâmbia e com o Congo porque, na verdade, os dois países vizinhos têm grandes recursos minerais e obviamente que um caminho-de-ferro que seja eficiente criaria ali grandes sinergias”, disse ainda. Para além disso, em termos de comércio, o Moxico tem parques industrializados, recursos hídricos bem como matéria-prima para a indústria alimentar, medicinal, têxtil, podendo tornar-se uma base de exportações para o Congo Democrático em particular e competir com a Zâmbia.

Acrescentou ainda que o Moxico com os seus pântanos tem todas as condições criadas para se tornar o “Vietname” de Angola, em termos de produção de arroz. Neste contexto, aponta como uma das preocupações a necessidade de se promoverem maiores incentivos fiscais para empresários que queiram investir naquela região do país que, pela sua localização, se encontra distante das bases logísticas e dos serviços A AIA propôs a realização de uma feira transfronteiriça com o apoio da Agência para a Promoção do Investimento e Exportações de Angola (Apiex) e com a Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola (CEEIA), em que os empresários nacionais e internacionais possam l interagir uns com os outros para a identificação de oportunidades de realização de negócios. Durante o encontro daquelas comissões do Conselho de Ministros, que será orientada pelo chefe do Executivo, José Eduardo dos Santos, será feita também uma abordagem sobre a execução de projectos inscritos no Programa de Investimentos Públicos (PIP).

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