OPEP mantém produção

A OPEP diz que manterá o nível máximo de produção inalterado em 30 milhões de barris por dia. Foi a segunda vez em seis meses que o grupo decidiu não tomar nenhuma medida face ao excesso global de petróleo bruto e preços baixos do petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) confirmou a intenção de manter o nível de produção de petróleo do grupo em 30 milhões de barris por dia, na reunião em Viena, na Áustria, ignorando os alertas de que o valor do barril pode descer do actual patamar que ronda os 60 dólares para perto de 40 dólares.

O ministro do Petróleo de Angola considera que a reunião teve um resultado satisfatório. “Angola está satisfeita com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)”, disse o ministro, citado pela agência financeira Bloomberg. “A decisão foi amigável, a única proposta na reunião da OPEP foi a de manter o tecto actual”, acrescentou José Maria Botelho de Vasconcelos, que considera que ainda existe excesso de oferta no mercado de crude.“O mais importante é saber quão elevada a produção irá ser nos próximos meses e não a quota oficial estabelecida”, afirmou à agência Giovanni Staunovo, um analista do mercado de a matérias-primas do grupo financeiro suíço UBS. “Se continuarem a produzir acima dos níveis estabelecidos, então isso poderá querer dizer que a quota se tornou irrelevante”.

Foi o ministro saudita dos petróleos, Ali al-Naimi, quem anunciou a renovação do tecto estabelecido no ano passado. “Ficariam surpreendidos com o quão amigável a reunião foi”, disse al-Naimi. Algo que à partida não seria certo, uma vez que o ministro iraniano do petróleo, Bijan Zanganeh, prometera pressionar os seus congéneres para permitirem que fosse reforçada a produção do país em um milhão de barris diários, logo que o Ocidente abrande as sanções ao Irão. Por conta disto, os analistas internacionais consideram que existe uma guerra económica entre a Arábia Saudita, o maior produtor do Médio Oriente, e o Irão, pelo controlo político da região.

“Confrontado com a determinação teimosa da Arábia Saudita em manter a produção da OPEP, o ministro do Petróleo do Irão, Bijan Zanganeh, subiu a parada neste jogo de ‘duplo bluff’ entre as duas forças políticas dominantes no Médio Oriente”, escreveu o jornal ‘The Telegraph’. O grupo de 12 países produtores afasta assim a possibilidade de reduzir as extracções, para impulsionar o preço do barril que se encontra pouco acima dos 60 dólares.

“Nos últimos quatro anos tínhamos preços superiores a 100 dólares por barril, o que nos deu um bom rendimento. Agora o ciclo está em baixo e temos de viver com isso. Temos de reajustar o nosso povo, os nossos países, a esta nova realidade de que o mercado não vai voltar a atingir os 100 dólares”, avisa o secretário-geral da OPEP, Abdalla Salem El-Badri.

À margem da reunião, o ministro iraquiano do Petróleo afirmava que a OPEP estima que o preço possa subir para os 75 dólares até ao final do ano, um valor que é visto como “justo” pela maioria dos membros, de acordo com outro responsável. Acontece porém que este novo equilíbrio no mercado mundial pode ser insustentável para alguns países. A Venezuela, por exemplo, ou qualquer outro país que tenha o petróleo como produto único. A perda de receitas com a queda dos preços implica aumentar a dívida externa a curto e médio prazos. Os Governos podem, no entanto, decidir que as petrolíferas estrangeiras, que operam no país, têm de pagar mais para manter as suas operações.

Havia grandes expectativas de que o grupo, que chocou os mercados em Novembro do ano passado ao resistir aos apelos de cortes na produção face à queda nos preços, mantivesse a sua meta de produção para os próximos meses. O nível de produção nos 30 mil milhões de barris diários foi estabelecido nessa altura numa tentativa de forçar países, como os Estados Unidos da América, a reduzirem a produção. A próxima reunião da OPEP acontece a 4 de Dezembro.

China faz cair preço do petróleo

Na passada segunda-feira, o primeiro dia útil logo após a reunião da OPEP de sexta-feira anterior, os preços do petróleo caíram com a notícia de um recuo nas importações de combustíveis pela China. Os analistas consideram que a decisão da OPEP de manter o nível de produção pode prolongar uma situação de excedente na oferta para o restante do ano.

A China, que é o maior importador líquido de petróleo do mundo, comprou um quarto menos de petróleo em Maio face ao mês anterior, segundo dados.

As fortes importações da China nos meses anteriores indicaram que “houve uma construção de stocks comerciais significativa”, disse Seng Yick Tee, director da SIA Energia, em Pequim

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