Teresa Alves A empreendedora em Massoterapia

Chama-se Teresa Alves, tem 40 anos de idade. É cega, mas não cruza os braços. Com o poder das suas mãos faz a realização de muitos. Nem mesmo o AVC a impediu de trabalhar. Com os membros inferiores e superior esquerdo paralisados, Teresa trabalha com apenas uma mão.

teresa “A única coisa que preciso é de um espaço onde mais do que lá morar, também possa trabalhar. Vivo no Zango-II e tenho de me levantar às três horas para ir ao trabalho”- estas palavras traduzem na perfeição o estado de espírito da Teresa Alves que logo a seguir revelou um sonho: “Estou a pensar em pedir ajuda para abrir um espaço e ensinar as pessoas a fazer massagem e evitar que elas fiquem nas ruas”, disse.

Teresa Alves é natural de Luanda, Nasceu na Maianga em 1976. Aos sete anos ingressou na escola de ensino especial Óscar Ribas, onde estudou até a 8ª classe. Conta que, após a formação, o governo brasileiro, através da Associação Catarinense do Brasil, uma associação de cegos, concedeu- lhe uma bolsa de estudo. “Perguntaram-me se queria continuar a estudar. Disse-lhes que sim. Foi então que consegui viajar para o Brasil”, lembra.

Segundo conta, na altura precisava-se de um bilhete de passagem, porque, acrescentou, a referida associação não tinha dinheiro para comprar. Por causa da dificuldade, a direcção da escola falou com a dona Luísa Fançony, directora da Luanda Antena Comercial (LAC) que lançou uma campanha através das antes da emissora, o que resultou na contribuição para compra da passagem. E assim seguiu para o Brasil, onde acabou por se formar em massoterapia, especialista em “Massagem linfática a diluir gordura”, formação que faz de Teresa Alves uma vencedora.

Um negócio dentro do espaço emprestado

Estando já em Luanda, aos 23 anos de idade, Teresa juntou-se a uma senhora, Orquídia, que a ajudou a conhecer o mundo da massagem no país. Um ano depois entendeu ser independente, abrindo um espaço no quintal da sua vizinha, no bairro São Paulo, em Luanda. “Ajudou-me também a enfrentar o mundo, sozinha”, reconhece. Fruto do seu bom trabalho, foi-lhe emprestado, há três anos, um espaço na unidade médica próximo do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), onde trabalha até agora. Conta que a sua massagem é do tipo romana. “A medida que vou massageando há um aquecimento entre as minhas mãos e o corpo do cliente.

O aquecimento por sua vez faz com que a gordura dilua e, quando bebe água, o corpo enxuga a gordura saindo em forma de urina”, explica, sublinhando que, automaticamente, o volume da pessoa baixa. No entanto, sublinha que para o êxito da terapia a pessoa deve beber água antes e após a massagem. Seus serviços custam apenas dois mil kwanzas. Até Novembro de 2014 atendia em media 30 a 40 pessoas, mas, desde Dezembro de 2014 que contraiu o AVC, a capacidade de atendimento diminuiu para 15. Seus clientes são de várias classes sociais e de género diferentes. Do pouco dinheiro que ganha ajuda também a pagar as propinas dos seus dois filhos, avaliados em 36 mil kwanzas. A interlocutora disse que a massagem para emagrecimento é cansativo.

Demora entre 15 a 20 minutos, e no máximo meia hora, a depender do corpo. “Faço a estética e ao mesmo tempo o relaxamento para o cliente não se sentir cansado. A massagem relaxamento é diferente da estética, demora uma hora”, esclarece. Teresa fez saber que existem vários tipos de massagem, sendo que a mais procurada é a drenagem linfática para emagrecimento. Quando questionada sobre a possibilidade de aceitar contrato para trabalhar numa empresa onde recebesse um salário mensal, Teresa Alves respondeu: “já tive uma experiência, mas deixei.

Dou-te um exemplo: tu és médico e ao invés de aplicares injecção que cura a doença, não vais ao fundo da doença para o cliente voltar a pagar mais dinheiro. A minha consciência é treinada pelos princípios bíblicos, não aceito isso”, denunciou. Insistiu dizendo que “se o que te vai curar é o quartem, então é o quartem que te vou dar e não o paracetamol para minimizar. A maior parte das clínicas nessa área fazem isso para o cliente não se ir embora tão cedo. É por essa razão que tenho negado convites”, justificou.

Dificuldades

Teresa Alves vive um mar de dificuldade. Sem meios próprios, tem de chegar, de segunda à sexta- feira, as quatro horas no seu local de trabalho para atender os clientes que têm de estar nos seus locais de serviço, às 7h30. Para se deslocar de casa tem contado com ajuda do irmão que vai alternando com a mãe, cunhado, quando está cansado. Além disso, Teresa tem igualmente um contrato com um taxista a quem paga mensalmente. No contacto com os pacientes tem sido enganada. “Um certo dia uma senhora deu-me 100 Kwanzas depois da massagem”, lembrou. Apesar das dificuldades, Teresa Alves considera que o mercado da massoterapia é favorável, porquanto as pessoas querem estar mais elegantes. Afirma, entretanto, que o trabalho é tentador devendo o técnico estar preparado para dominar o ânimo do cliente. “Houve um cliente que durante a massagem disse que já não sabia se queria massagem ou outra coisa. Se a pessoa não for mais do que profissional cede”, fez saber.

Projectos e sonho

Teresa Alves reitera a sua posição: “Gostaria ter um espaço onde eu possa viver e trabalhar, porque o meu problema é a hora que saio de casa para ir à procura dos clientes”, lamenta. Por outro lado, Teresa Alves sonha ter um centro de formação para passar a sua experiência de trabalho, trabalhar e ganhar dinheiro para tratar da sua saúde.

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Teresa Alves A empreendedora em Massoterapia

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